A imagem das organizações perante a sociedade sempre esteve em pauta. Os empresários buscando lucro e a satisfação do cliente. Os funcionários, um bom ambiente para exercer suas funções, além de bons salários. Porém, a relação entre o público interno e externo demorou a ser compreendida.
Desde muito cedo, os trabalhadores já se uniam para mostrar sua força e lutar por seus direitos, se rebelando contra as práticas das corporações industriais. Uma das greves mais marcantes aconteceu nos Estados Unidos, esta deu origem à lei que regulamenta a jornada e também o Dia Internacional do Trabalho, comemorado em 1° de maio. Após este fato, os sindicalistas começaram a perceber o quanto era importante trabalhar a opinião pública para conseguir o apoio da população em seus interesses e obter êxito nos conflitos de classe.
Desta forma, os empresários compreenderam a importância e a necessidade de esclarecer ao público suas atividades. Para tanto, foi preciso desenvolver um trabalho institucional direcionado aos meios de comunicação de massa, através de uma figura especialista que compreendesse tanto seus públicos internos quanto externos para o bom funcionamento das organizações.
Nessa época, o jornalista Ivy Lee, já demonstrava grande interesse sobre o mundo dos negócios e das corporações. Então, em 1906, junto a George Parker, um agente de imprensa, abriu a Parker e Lee Associates. Em 1914, Lee começou sua carreira como consultor pessoal de John D. Rockfeller Junior, grande empresário do setor petrolífero. Um dos homens mais odiado no mundo dos negócios, acusado de mandar atirar contra os trabalhadores de sua empresa durante uma manifestação.
O trabalho prestado à família Rockfeller foi melhorar a imagem pessoal do empresário perante a sociedade, o incentivando a investir em ações filantrópicas. Ivy Lee obteve sucesso total nesta ação frente à opinião pública, alcançando mudanças no comportamento pessoal de John Rockfeller, alterando sua figura para um homem preocupado com a humanidade, que fundou além de organizações filantrópicas, centros de pesquisas, hospitais, universidades e concedeu bolsas de estudos.
Mas o que muitos não sabem é que antes de Ivy Lee, as Relações Públicas tiveram a grande contribuição de Edwuard Bernays, o sobrinho de Freud é considerado o pai dessa ciência. Defendia princípios polêmicos como a noção de que a manipulação consciente e inteligente das ideias das massas era fundamental à democracia. Criador também da propaganda moderna, que vende valores ao invés de funcionalidade. O consultor de relações públicas era a interface entre os desejos de seus clientes e o grande conjunto de instintos irracionais das massas. Sempre ligado a questões políticas dos EUA, em 1917 foi contratado para criar uma campanha que influenciasse os americanos a apoiar a entrada de seu país na primeira guerra mundial. E em apenas seis meses, através de suas ações, Bernays conseguiu com que os americanos repudiassem o povo alemão.
Já no Brasil, o primeiro Departamento de Relações Públicas, foi criado em 1914, e pertencia a uma companhia canadense chamada The Light and Power Co. Ltda. O setor tinha como objetivos cuidar das relações da empresa com seus clientes e dos contatos com autoridades municipais e estaduais. Eduardo Pinheiro Lobo, diretor do departamento, foi considerado, em 14 de junho de 1984, o pioneiro das Relações Públicas no nosso país.
Com o avanço industrial e a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional na cidade de Volta Redonda (RJ), na década de 40, a profissão de Relações Públicas se firmou efetivamente no Brasil. Com o estímulo à entrada do capital estrangeiro para o parque industrial brasileiro na década de 50, as grandes empresas passaram a exigir competência e preparo profissional, o que ocasionou a expansão da profissão.
Assim, no dia 21 de julho de 1954, foi fundada a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), e, em 1967, ocorreu a fundação do curso por Cândido Teobaldo de Souza Andrade, na Universidade de São Paulo. Porém, o maior acontecimento ainda estava por vir. No mesmo ano a Lei n° 5.377, declara a designação “Profissional de Relações Públicas” e o exercício das respectivas atividades como privativos dos bacharéis diplomados no curso de nível superior, reconhecidos pelo Conselho Federal de Educação conforme explica Claudia Moura em seu livro Histórias das Relações Públicas: fragmentos da memória de uma área. .
O Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (CONFERP) foi criado em 1969, com a finalidade de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão em todo Brasil. Já em 1971 entraram em funcionamento os Conselhos da 1° a 4° Região Conrerp, tendo como finalidade regular a profissão dentro da sua região.
Hoje, a profissão Relações Públicas ganhou visibilidade e deferência. Empresas estão investindo na contratação de profissionais formados para gerenciar crises de imagens, além de trabalhar tanto com o público interno, quanto o externo. Esta profissão passou a compor os organogramas das organizações e é vista por grande parte dos gestores como uma profissão de suma importância no quadro de funcionários.
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